FATORES ASSOCIADOS À QUALIDADE DE VIDA E ESTIGMA EM SUJEITOS TRATADOS DE HANSENÍASE EM UM MUNICÍPIO DO MARANHÃO
DOI:
https://doi.org/10.29327/213319.21.1-5Keywords:
Estigma social, Hanseníase, Qualidade de vida.Abstract
A Hanseníase, doença infectocontagiosa, é causada pelo Mycobacterium leprae, manifesta-se por alterações dermatoneurológicas com lesões na pele e nos nervos periféricos, podendo interferir na qualidade de vida e estigma dos sujeitos acometidos pela doença. O objetivo do estudo foi investigar qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) e estigma em indivíduos tratados de Hanseníase, além dos fatores socioculturais e de condições de saúde associados, no município de Imperatriz, MA. Tratou-se de estudo quantitativo, descritivo e transversal, em população composta por 172 casos novos, diagnosticados em 2018, nos distritos sanitários de Imperatriz-MA e acompanhados pelo Programa de Controle para Hanseníase. A coleta de dados ocorreu em visita domiciliar entre janeiro e março de 2020, resultando em amostra de 123 sujeitos tratados após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Para descrever o perfil dos indivíduos e verificar possíveis associações, realizou-se entrevista individual utilizando questionário sociocultural. A QVRS foi avaliada através do instrumento World Health Organization Quality of Life (WHOQOL - bref) e o estigma através da Escala de Estigma Explanatory Model Interview Catalogue para pessoas acometidas pela Hanseníase (EMIC - AP). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Ceuma sob o parecer nº 3.611.230. Utilizou-se o software SPSS para análise estatística. Além das medidas descritivas, verificaram-se a normalidade dos dados pelo teste de Kolmogorov–Smirnov e as associações entre as variáveis socioculturais e de condições de saúde com a QVRS e com o Estigma por meio dos testes Qui-quadrado ou Exato de Fisher. Para realização destes testes categorizaram-se as variáveis quantitativas QVRS (satisfatória e não satisfatória) e Grau de Estigma (alto e baixo). Estimaram-se também as correlações de Spearman entre as variáveis quantitativas contínuas. Considerou-se o nível de significância de 5% para os testes estatísticos. A QVRS geral foi não satisfatória para 50,4% dos sujeitos tratados e o grau de estigma foi elevado em 48% dos casos. Não houve associação significativa entre as categorias do estigma (alto e baixo) e da QVRS (satisfatória e não satisfatória) dos indivíduos tratados. As variáveis associadas às categorias de QVRS foram: faixa etária, estado civil, escolaridade, ocupação/profissão, nº de contatos diários, renda e episódios reacionais. Já para o grau de estigma apenas o estado civil demonstrou associação significativa. A QVRS relacionou-se significativamente com todos os domínios do WHOQOL-bref, principalmente com os domínios fisico e de relações sociais dos sujeitos. Considerável parcela dos sujeitos, mesmo após alta por cura, apresentou QVRS não satisfatória e elevado grau de estigma. Constatou-se que condições desfavoráveis de vida relacionadas à pobreza e vulnerabilidade ao adoecimento contribuem para percepções não satisfatórias sobre a qualidade de vida interferindo nas relações sociais dos sujeitos marcados pelo estigma sobre a doença.
Downloads
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Temas em Saúde

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.