PERFIL DE ALTERAÇÕES EM COLPOCITOLOGIA ONCÓTICA: UMA SÉRIE TEMPORAL

Autores

  • Maria Gabriela Carvalho Barroso Médica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Autor
  • Kévia Katiúcia Santos Bezerra Médica Ginecologista. Mestre pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Professora do curso de Medicina (UFCG) Autor
  • Eliane de Sousa Leite Drª em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Professora da Faculdade São Francisco. Servidora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Autor
  • Marilena Maria de Souza Professora da Escola Técnica de Saúde da UFCG/CFP. Doutorado em Medicina e Saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Autor
  • Ana Paula Oliveira da Silva Médica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mestre em Ensino na Saúde pela Universidade Estadual do Ceará. Professora do curso de Medicina da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Autor
  • Anne Milane Formiga Bezerra Docente da UNIFIP Patos. Doutoranda em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FSCMSP) Autor

DOI:

https://doi.org/10.64671/ts.v22i5.135

Palavras-chave:

Câncer de colo do útero, Exame de Papanicolau, Saúde da mulher

Resumo

O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus de DNA que pode ser sexualmente transmitido e se destaca como um agente responsável pelo câncer de colo uterino. Esse tipo de câncer é a principal causa de morte entre mulheres que vivem em países em desenvolvimento. A apresentação clínica, em estados iniciais, frequentemente é assintomática, por isso, o rastreio adequado a partir do exame de colpocitologia oncótica, popularmente conhecido como Papanicolau, se faz necessário para que as alterações celulares precursoras do câncer cervical sejam precocemente identificadas e tratadas, evitando a progressão da doença. Dessa forma, o objetivo geral deste estudo foi compreender o perfil de alterações nos exames colpocitológicos de rastreio em mulheres da Paraíba no período de 2015 a 2019. Trata-se de um estudo ecológico de uma série temporal, com caráter retrospectivo, do tipo descritivo e de natureza observacional. As informações populacionais e os laudos dos exames foram extraídos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde.  A coleta dos dados foi realizada pela própria pesquisadora no período agosto de 2021 e os dados foram organizados em planilhas para avaliação e descrição. O estudo revelou que a média anual de exames preventivos realizados no estado dentro do recorte temporal analisado foi de 132.567, no entanto, esse valor corresponde a menos de 15% das mulheres residentes na Paraíba que deveria realizar o exame periodicamente. Além disso, observou-se que a faixa etária predominante na realização da colpocitologia corresponde a de 30 a 39 anos, sendo também a que mais apresenta alterações. A lesão mais prevalente dentro do recorte analisado corresponde às atipias de células escamosas de significado indeterminado (ASC-US), equivalente a uma média anual de 470 casos, seguida pela lesão intraepitelial de alto grau (HSIL) com uma média anual de 356 casos e em ascensão durante todo o período analisado. A efetividade do uso do exame preventivo em detectar alterações precoces é corroborada pelos resultados dessa pesquisa, bem como a necessidade de maior adesão aos programas de prevenção por parte da população. Portanto, considerando o impacto devastador que o câncer de colo uterino traz para a saúde da mulher, pode-se interpretar esses resultados como um alerta preocupanteara melhorar ainda mais as ações e estratégias da Atenção Primária na Paraíba e no Brasil voltadas para o rastreio desta doença, assim como para reforçar o financiamento e as políticas públicas voltadas para esse setor.

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

PERFIL DE ALTERAÇÕES EM COLPOCITOLOGIA ONCÓTICA: UMA SÉRIE TEMPORAL. (2026). Temas Em Saúde , 22(5). https://doi.org/10.64671/ts.v22i5.135