TRABALHO E SAÚDE: PERCEPÇÃO DE MULHERES MOTORISTAS DE APLICATIVO
DOI:
https://doi.org/10.64671/ts.v21i6.165Palavras-chave:
Saúde do trabalhador, Satisfação no trabalho, Qualidade de vidaResumo
As mudanças na sociedade atual, decorrentes do desenvolvimento e aplicação das tecnologias da informação e da comunicação, transformam a forma de se relacionar, consumir e trabalhar. No universo de trabalho, uma das consequências geradas pelas possibilidades de uso dessas tecnologias é a flexibilização das relações laborais, ocorrendo o que se popularizou como “uberização” em referência ao fenômeno Uber. Não raras vezes, é também usada como expressão de precarização devido a desproteção social que caracterizam o trabalho mediado por plataformas digitais. Semelhante ao Uber, em 2019, uma empresa destinada e conduzida para e por mulheres foi criada em município de médio porte no estado do Paraná. Considerando-se que o aplicativo foi criado a partir de uma demanda de motoristas e usuárias com histórico de assédio e violência no uso e no emprego de outros aplicativos, somam-se os impactos ligados à precarização do trabalho, o que as faz duplamente vulneráveis. Portanto, a pergunta que permeia a pesquisa é: de que forma o trabalho afeta a saúde de trabalhadores, em particular de mulheres que se inserem no mercado de trabalho dito precário? A presente pesquisa teve como objetivo de analisar a percepção de mulheres motoristas de aplicativo sobre o seu trabalho e a sua saúde. Foi realizado por meio de entrevistas com questões abertas e submetidas à análise de conteúdo de Bardin.
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