FEMINICÍDIOS CORRIGIDOS EM ESTADO DA REGIÃO AMAZÔNICA ENTRE OS ANOS DE 2014 A 2018
DOI:
https://doi.org/10.64671/ts.v21i5.174Palabras clave:
Epidemiologia descritiva, Violência contra a mulher, MortalidadeResumen
A violência contra a mulher é um problema de saúde pública de grande magnitude no mundo, sendo sua expressão máxima representada pelo feminicídio. Em âmbito mundial, nos últimos anos, ocorreu tendência crescente na taxa de feminicídios, sendo a América Central o local de maior ocorrência. No Brasil, durante as últimas três décadas, houve aumento de 100% na taxa de feminicídios, que passou de 2,3 / 100.000 para 4,6 /100.000 mulheres. Esta pesquisa objetivou estimar a taxa de feminicídio corrigida no Estado do Amapá e caracterizar a causa da morte por grupo a partir da Classificação Internacional de Doenças, na região amazônica, entre os anos de 2014 a 2018. Trata-se de estudo observacional, descritivo, retrospectivo, transversal e com abordagem quantitativa a partir da base de dados do serviço de informação da Superintendência de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, com base nas declarações de óbito. No período do estudo foram registrados 95 feminicídios com taxa de 4,78 óbitos por 100.000 mulheres, que após correção passou para 126 óbitos e taxa global corrigida final de 6,34 óbitos por 100.000 mulheres. A principal causa de morte por grupo encontrada foi por emprego de arma de fogo com 40% em análise geral e 50% em análise isolada da capital. Embora o feminicídio tenha apresentado tendência decrescente no Estado do Amapá no período do estudo, a média de taxas foi maior que a média nacional, tendo uma taxa de subnotificação de 24,6% correspondendo a um quarto da amostra. A causa de morte mais frequente encontrada foi por arma de fogo, tendo proporção maior em análise isolada da capital. Trata-se de uma evolução que ocorre de acordo com a facilidade do local em ter acesso às armas de fogo. Macapá, capital do Estado, embora estando entre as menos populosas do Brasil, apresenta alto índice de violência em comparação nacional e internacional, necessitando de políticas públicas efetivas na repreensão da violência geral e em especial ao feminicídio.
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