MORTALIDADE MATERNA POR COVID-19 NA PARAÍBA: ESTUDO RETROSPECTIVO
DOI:
https://doi.org/10.64671/ts.v21i6.162Keywords:
Mortalidade Materna, COVID-19, Gravidez, Período Pós-PartoAbstract
Introdução: A infecção pelo SARS-CoV-2, vírus causador da doença COVID-19, com alto potencial de morbidade e mortalidade, tornou-se uma ameaça à saúde pública mundial, inclusive para a população obstétrica. Objetivo: Esse estudo tem como objetivo geral analisar os óbitos maternos por COVID-19 no estado da Paraíba. Metodologia: Trata-se de um estudo retrospectivo, do tipo descritivo e analítico, de abordagem quantitativa com gestantes e puérperas testadas para COVID-19 na Maternidade Frei Damião- PB, referência estadual no atendimento aos casos suspeitos ou confirmados de mulheres no período gravídico-puerperal e recém-nascidos. O estudo foi realizado no período de abril de 2020 a abril de 2021, sendo incluídas todas as mulheres que tiveram o óbito como desfecho materno. Resultado e discussão: No período desse estudo foram constatadas 89 internações de gestantes ou puérperas em Unidade de Terapia Intensiva com diagnóstico confirmado para COVID-19, as quais decorreram em 24 óbitos maternos (n=24; 100%). No centro de referência estudado, observa-se que 87,5% (n=21) das participantes eram pardas, 29,2% (n=7) com idade entre 25 a 29 anos, 33,3% (n=8) eram residentes da capital João Pessoa, 50% (n=12) com ensino médio completo, 45,8% (n=11) eram casadas e em sua maioria, com 54,2% (n=13) eram donas de casa. No que se refere às comorbidades, 41,7% (n=10) possuíam algum tipo, sendo mais prevalente o Diabetes em 16,7% (n=4), seguida da Hipertensão com 12,5% (n=3), Obesidade em 8,3% (n=2) e Hipertensão Arterial Sistêmica Gestacional em 8,3% (n=2). Conclusão: Em contexto pandêmico, as falhas no gerenciamento de crise na saúde pública no país influenciaram em complicações obstétricas graves. Os fatores observados no estudo indicam que a restrição ao acesso aos serviços de saúde, a demora da inclusão de mulheres grávidas e puérperas no grupo de risco para Covid-19 e ausência de medidas preventivas para população obstétrica, visto que as modificações fisiológicas do ciclo gravídico-puerperal associado às comorbidades são possíveis justificativas para os resultados obstétricos atuais.
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