FAMÍLIA E EQUIPE DE SAÚDE: COMO PERCEBEM A DOR DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE COM CÂNCER?

Authors

  • Renata de Moraes Trinca Faculdade de Medicina de Marília – Famema Author
  • Luzmarina Aparecida Doretto Braccialli Faculdade de Medicina de Marília – Famema Author
  • José Bitu Moreno Faculdade de Medicina de Marília – Famema Author
  • Ieda Francischetti Faculdade de Medicina de Marília – Famema Author

DOI:

https://doi.org/10.64671/ts.v22i6.142

Keywords:

Dor, Câncer, Pediatria, Criança, Avaliação da dor.

Abstract

Introdução: A dor deve ser sempre avaliada como uma experiência pessoal que pode ser influenciada, entre outros aspectos, por fatores biológicos, psicológicos e sociais. A avaliação da dor em pediatria é um desafio ainda maior, pois nem sempre a criança consegue descrever as características para que o correto diagnóstico seja realizado. Pacientes com doenças oncológicas comumente apresentam episódios de dor e observa-se que, na prática diária, nem sempre recebem tratamento adequado ao tipo de dor, o que pode, inclusive, afetar o tratamento da patologia de base. Objetivos: Por esse motivo, este trabalho objetivou entender a percepção da família e da equipe de saúde em relação a esse sintoma. Método: Trata-se de estudo qualiquantitavo, multicêntrico, transversal com familiares de pacientes da oncologia pediátrica (10), além de 30 profissionais de saúde (10 técnicos ou auxiliares de enfermagem, 10 enfermeiros, 10 médicos – entre eles oncologistas pediátricos e residentes de pediatria) de dois serviços de oncologia pediátrica no interior do estado de São Paulo. Os dados foram obtidos por meio de questionários previamente estabelecidos e analisados por frequência absoluta e relativa, bem como pela técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados e discussão: Observou-se a presença de erros conceituais importantes sobre avaliação e manejo da dor, entre familiares e profissionais de saúde, que podem acarretar prejuízos ao cuidado do paciente e pouca oferta de capacitações e treinamentos específicos sobre avaliação da dor, fato que contribui para identificação e controle inadequados do sintoma. Conclusão: A percepção dos olhares dos familiares e equipe de saúde sobre a dor do paciente oncológico pediátrico demonstrou a necessidade de melhor avaliação sistematizada para controle adequado da dor nessa população. Nossos resultados corroboraram para importância da criação de protocolos institucionais e capacitação de equipe e família a fim de evitar que a dor possa ocasionar prejuízos para o paciente e, neste momento em que se obtém altas taxas de cura, a preocupação com a qualidade de vida pós-tratamento deve ser amplificada.

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Published

2026-01-19

How to Cite

FAMÍLIA E EQUIPE DE SAÚDE: COMO PERCEBEM A DOR DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE COM CÂNCER?. (2026). Temas Em Saúde , 22(6). https://doi.org/10.64671/ts.v22i6.142