DIFERENÇAS SOCIAIS E COMPORTAMENTAIS ENTRE HOMENS E MULHERES DIAGNOSTICADOS COM SÍFILIS EM UM CENTRO DE TESTAGEM E ACONSELHAMENTO

Autores

  • Iara Vitória Santos Bacharel em Enfermagem. Universidade Estadual de Montes Claros, MG. Autor
  • Ana Paula Ferreira Holzman Enfermeira. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo. Professora do Curso de graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Montes Claros, MG. Autor
  • Dulce Aparecida Barbosa Enfermeira. Mestre em Biologia Molecular. Doutora em Ciências da Saúde. Pós Doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo Autor
  • João Luiz Grandi Enfermeiro. Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo. Gerente de Risco do Hospital São Paulo, SP. Autor
  • Janer Aparecida Silveira Soares Médica pediatra. Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Montes Claros, MG. Professora do Curso de graduação em Medicina da Universidade Estadual de Montes Claros, MG Autor
  • Josiane dos Santos Biomédica. Mestre em Biotecnologia Industrial pela Universidade Estadual de Montes Claros, MG. Responsável técnica pelo laboratório do Centro de Referência em Doenças Infecciosas, Montes Claros, MG Autor

DOI:

https://doi.org/10.64671/ts.v21i5.173

Palavras-chave:

Infecções Sexualmente Transmissíveis, Sífilis, Prevalência, Vulnerabilidade em Saúde, Análise de Gênero na Saúde

Resumo

Objetivo: Analisar o perfil dos casos de sífilis diagnosticados no Centro de Testagem e Aconselhamento de Montes Claros, Minas Gerais. Métodos: Trata-se de estudo observacional, retrospectivo, com componentes descritivos e analíticos. A amostra foi composta por usuários atendidos no Centro de Testageme Acosnelhamnteo de Montes Claros, que obtiveram resultados reagentes para o teste rápido de sífilis, no período de 2014 a 2019. Os dados foram coletados do sistema de informação do serviço.  Resultados: Foram incluídos 401 usuários, sendo 154 (38,4 %) do sexo feminino e 247 (61,6%) do sexo masculino. A frequência da sífilis foi maior entre os homens que, por sua vez, apresentaram de forma significativa mais comportamentos de risco como uso de drogas (p=0,042), maior número de contatos sexuais (p=0,000) e práticas homoafetivas (p=0,000), em relaçao às mulheres. A percepção do risco também foi maior entre os homens (p=0,002). Quanto ao uso do preservativo, sua distribuição foi normal nos dois grupos. Conclusão: Os resultados apontam maior engajamento dos homens em situações de risco para IST o que, provavelmente, contribuiu para maior prevalência da sífilis nesse grupo. A elevada frequência da infecção evidencia a vulnerabilidade a que estão expostos os usuários do serviço, o que requer estratégias de impacto efetivo, que possam reduzir a transmissão da doença, considerando homens e mulheres de forma singular no âmbito das relações e no seu comportamento. 

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Publicado

2026-02-03

Como Citar

DIFERENÇAS SOCIAIS E COMPORTAMENTAIS ENTRE HOMENS E MULHERES DIAGNOSTICADOS COM SÍFILIS EM UM CENTRO DE TESTAGEM E ACONSELHAMENTO . (2026). Temas Em Saúde , 21(5). https://doi.org/10.64671/ts.v21i5.173